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Meu contraditório amor

ele vibra como as cordas do violão 

ressoa a cada segundo repetidamente 

como peão gira no chão com restos de aluvião 

e deixa sedimentos em meu coração 

sopra brasas vivas na lenha do fogão 

corre em vultos no vão...

da porta 

assombra mais que o latido do pastor alemão 

e é estilingue e pedra para que eu não me apoie mais 

nem no corrimão 

e mesmo causando todo esse urra

quero-o em minha visão 

de dia, de noite

claro e escuridão 

cacos de vidro quando aperta minha mão 

espinhos quando dá uma afagada

açoite quando dá uma massageada

por que você não tá aqui pra gente se casar?

por que você está aqui pra me assombrar?

ontem você disse que estava chegando 

que você vinha 

agora a tartaruga já deu três voltas pela cozinha

era tudo ironia 

e eu me perco se a sua versão do sonho ou a real era a que não existia 

e temo que até o ruído do bule impeça eu ouvir o seu toque na campainha 

e você só chegou na garagem para pegar o sinal 

e me mandar um recado pela minha vizinha

eu sou filha do cara da segunda esquina 

e estou cheia de adrenalina que veio do mano 

que me faz ver o céu com as pipas que ele empina

e os raios que fulmina 

e é sinal de que acordou 

meu endereço memorizou 

mas com nosso encontro...

jamais sonhou  


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Ana Paula Valentim
07/10/2020