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O vulto

 
Escondida na penumbra, eis que sobe
Uma sombra e acelera o meu coração
Meu corpo ao meu peito se encolhe
Antes que perceba uma pasma sensação.
 
Desvio meu olhar ao meu primeiro objetivo
E um gato preto agourento corre ao meu lado
De novo, arrepiado e repreensivo
Baixei minha guarda, eu que sou o culpado!
 
Se corro ou se vejo, num instante analiso
Correndo não saberia do quê e nem por onde
Mostro a falta de bravura, no que for preciso
Meu revide se apequena e comigo se esconde
 
Neste lapso de instante, no fio da navalha
Se vejo travo, como em um filme de terror,
Uma aguerrida e vitoriosa batalha,
Ou o meu corpo indefeso de pavor
 
Mais forte que a coragem é minha curiosidade  
Como pode ser perigoso se nada escuto?
Sem sombra de dúvida olhei e na verdade
Se não conheço e não penso, não exorcizo o vulto.
 
O escuro da vida, que a mente ilumina
É povoado de fantasia e alucinação
Um medo do nada, em cada esquina
de si mesmo alimenta, sem a razão. 
 
 

 

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Guilherme dos Anjos Nascimento
11/08/2020