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A morte em cinco sentidos

 

 
Disfarçada no toque das vestes macias,
A morte nos revela uma textura
Na pele fria, áspera e dura
Tato que a todos os sentidos arrepia.
 
A morte traz ao olfato, crisântemo e cravo
Aborrecimentos pairando no ar
Ares tristes no profundo expirar
Memórias que rescendem de um retrato
 
Cor branca e preta tem a morte malévola
Na dor, volta-se os olhos ao canto e à borda
O que se enxerga treme e transborda
Na visão baça e úmida, de sua névoa.
 
A morte tem, no silêncio, um desvio,  
Dos sentidos, o som é o de maior expressão
Tanto na dor, quanto no consolo e oração
Audição pra amenizar seu vazio.
 
A morte, em seu mal gosto, no coração,
Tem um paladar de cebola crua.
Se engole em seco, como farinha pura
No tino, sua amargura-limão.

 

Guilherme dos Anjos Nascimento

 

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Guilherme dos Anjos Nascimento
02/08/2020