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Tempo-egito

 
 
Oh tempo, ampulheta de gravidade!
Rouba em redemoinho, cada instante meu.
Faraó Tut, o destino nasceu.
Vaidosa e curta é a minha verdade!
 
Olho de hórus para o futuro?
Me protegerão, deuses em cada canto?
Animais selvagens que de outro plano,
assistem-me a conquistar o apuro.
 
Ver meu sonho que virá a existir,
Planejar melhor vida em meu papiro.
Em hieróglifo, de frente não me viro,
Carrego nas corcovas o porvir.
 
Como o Nilo fertiliza o deserto,
 Águas passadas em cada momento,
Tão curto é o período em que vivo no tempo,
Grandes são os extremos, dos quais não estou perto!
 
Molda-se um passado tão duro, de um futuro incerto.
A miragem é o presente, areia movediça!
Quanto mais feliz hora, mais você cobiça,
me estrangula e para baixo me esvai, neste inverso.
 
E nunca que vira, que revolta!
Vivendo súdito, ao possuir esse ouro.
Não poder no momento vindouro,
Assomar, nova chance, areia de volta!
 
Tanto trabalho em pirâmide se ergue,
No sarcófago, leve é o coração inocente,
que depois de morto, faz do tempo inclemente,
Múmia rememorada que me segue!
 
Não movendo sequer um grão de areia,
de sua duna, depois de formada!
Esfinge de resposta sempre negada,
que devora de saudade minha vida inteira!

 

 

 

 

Guilherme dos Anjos Nascimento

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Guilherme dos Anjos Nascimento
09/07/2020