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Autoanálise

Já faz tanto tempo que visitei minhas mágoas

No meu mundo vazio e que assim permanece...

Ainda não me conheço, mas encaro isso como virtude,

Sendo que sou uma casca: Tabula Rasa sem condições de preenchimento.

 

Há treze anos eu me despi pela vez primeira.

Não foi suficiente. Tudo também era vago...

Triste retrato de um eu que mentia ou ainda ocultava

Tantas informações em uma pretensão de coragem

Tão revestida de vergonha. Tão disfarçada como um espião

De mim mesmo, com uma máscara bizarra, todavia, romantizada...

 

Eu entendo hoje, de forma pouco mais lúcida

Que não há como revelar toda a verdade.

(Porque eu não a entendo ou conheço e nem ninguém...).

Passo dias a sorrir e não sei por quê.

Enfim... Não são sorrisos genuínos, e sim, prenhes de preocupação -

Uma que consome meu ser desde que cri compreender algo,

Sendo que tal entendimento só gerou mais dúvidas

E estas me tornaram um ser de tanta abstração e angústias...

 

Sim, essa dita "verdade" não há...

Porque a mentira é o que torna nossa existência mais aceitável,

Como disse há muitos anos...

Meu deprimido eu não é amado e nem será,

Posto que as pessoas não entendem o que não é como elas.

Hoje eu vejo que não sou só eu no mundo.

Hoje eu reconheço que também me formei graças aos outros:

Muito obrigado por moldarem meu caráter para o bem!

Muito obrigado pelo perpétuo monstro dentro de mim!

 

Eu não sinto que sou compreendido em minha colossal arrogância,

Mas não sei mais dizer se isso se dá por conta de se ser arrogante.

Já não odeio meu pai, embora tenha sentido tanto rancor antes,

Mas também continuo como parasita da minha mãe,

À qual tenho gratidão, mas o que mais...?

 

Eu continuo falhando em tudo.

Eu adoeci ainda mais, mas não penso muito nisso.

Há um conformismo apático em meu ser: uma piada de mau gosto

Que eu sei ser um tipo de senso de humor, mas não rio...

E nem ninguém...

Eu entendo que sou edificado por pragas e infâmias,

Mas eu sinto que essa podridão sempre fez parte de mim.

Sempre foi meu verdadeiro eu

E eu aceito, aprecio e amo tudo isto!

 

Apaixonado, em um narcisismo sombrio por mim mesmo,

A ironia é que não me importo, sobremaneira, com mais nada!

Nem eu, e... Quiçá, alguém...

Neste ínterim, fui pai, relacionei-me e não me encontrei também...

Será que eu as amava?

Será que eu sou eu?

Eu sinto que estou em uma demorada espera e só.

Não vejo sentido em estar, mas não sinto compaixão por ser assim.

 

Ninguém me entende, mas eu também não.

Nem a mim e nem aos demais.

Eu não sou um bom amigo, finjo em diversos casos

E por trás de alguma moralidade a qual adquiri

A duras penas, permaneci deveras insensível...

Dizendo e apontando dedos a cada situação que não me agradava.

E, então, o que sou senão um tirano?

Um homem torpe que não aceita nada que saia de si mesmo...

 

Minha doença piorou e estou ficando lentamente cego.

(Literalmente e talvez seja isto que eu espere para pôr termo em minhas linhas).

Eu já não tenho tanta saúde, mas busquei por isso.

Eu ancorei meus desejos na brevidade e nunca quis além disso,

Desde a aurora da juventude e mesmo agora...

 

Ao passo que em alguns aspectos fui apreciado

E tornei-me mais maleável com os meus,

Quanto não menti?

Brincaram com meus sentimentos e eu jurei falsamente

Não fazê-lo com ninguém, mas não cumpri isso.

Enganei e desapareci covardemente.

Emiti palavras doces, mas impregnadas de balbúrdia

Tal como um diabo o faz para tentar alguém...

E por ser um morto vivo sem perspectivas,

Que direito eu tinha de fazer isso?

Como poderia almejar a felicidade sendo este lixo ambulante?

Rodeado das moscas infectas do meu próprio ego?!

 

Meu sangue cristalizado pelo excesso de açúcar em minhas veias

Realmente me está a matar, como antigamente eu meramente

Imaginava com ares de subestimação...

Mas sou um fracote e não resisto à ela, minha enfermidade...

Eu sei que morrerei como qualquer um.

Mas como serei torturado até que tal evento ocorra?

Será o suicídio a solução mais razoável?

Como apontei antes, não tenho respostas, apenas mais dúvidas...

 

Eu não sou feliz e nem triste.

Eu apenas sinto uma vaziez dentro de mim, como quem busca e nunca alcança...

Passei por terapias por causa da ansiedade que me consumia.

Descobri que as pessoas me tinham por homossexual realmente

Ainda que eu não me interesse por pessoas do mesmo gênero;

E mesmo que eu só tenha me relacionado com gentes do sexo oposto...

Porém, não sou bom no sexo. Pelo menos não me julgo...

Eu sinto vergonha e uma imensa derrota quando penso nisso.

Eu ainda tento buscar uma perfeição tola que ninguém possui...

 

O que me consome e devora são as inseguranças e incertezas

E elas criam mil demônios em mim...

Eu tento deixá-los guardados, saciados em meu íntimo,

Mas como isso pode ser quando os seres humanos

Não se importam em liberar os deles em cima de mim e dos demais?!

 

Quer dizer que apenas eu tenho que ter controle nesse excremento?!

 

Não há palavras bonitas ou inéditas.

Só existe tédio em mim... E vilania.

Falhei miseravelmente como um projeto de ser humano

A vagar por caminhos tortuosos, crendo que seu drama

Era muito maior que o dos outros

Em uma prepotência ignóbil e mesquinha.

Eu não sou ninguém, nem nada.

Continuei buscando a intelectualidade e alguns disseram-na

Para me agraciar, contudo, não concordo...

Sou um tolo, eu nem articulei minhas teses e imitei-as de terceiros.

O que aprendi, não fui eu quem criei

E nem poderia, porque sinto preguiça de estar vivo...

Quão miserável posso eu ser?

 

Eu lamento a extensão dessas linhas medíocres.

Eu nem revelei tudo, nem poderia,

Pois que um nada não o possui...

Eu desisti de Talis Dinergal, Diego Dimas Barbetta, Bob Satyrus Torazine... Há muitos anos!

Não busquei mais uma identidade...

Criei, depois destes, Camilo Ferdinandi e Virgínia Cristabelle de Castilho e Sérgio de Toledo e Mendes

Para tentar me encontrar e apaziguar tanta revolta,

Mas foi tudo em vão, como o é o mundo, embora as pessoas queiram otimismo...

Eu sou indigno de amor e benécies, mas não cesso de buscar...

E enquanto eu estiver, posso modificar minha concepção,

Mas, no mais, calo-me na insignificância sem comoção

E sem sentimentos por mim que reservo na lástima

Pela página em branco que sou e que talvez sempre seja...

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Thiago da Silva Carbone
23/04/2020