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Tudo começou com uma conversa boba

Tudo começou com uma conversa boba...

Selma nardacci

Consigo escrever melhor quando sinto tristeza. Sei lá, bate o santo da tristura, e aí, por alguma coisa, que não sei explicar, talvez um pouco de vulnerabilidade, que vai me deixando amolecida, vou soltando, gradativamente, aquilo que está preso nos sentimentos.
Tudo começou com uma conversa boba com uma amiga. O assunto era sobre pessoas que ganham o mesmo salário e conseguem fazer coisas que não conseguimos fazer. Conversa vai, conversa vem, chegamos à conclusão que tudo tem a ver com as prioridades, com o histórico dos indivíduos, com a evolução de cada um. Alguns investem nos filhos, com idade escolar; tem os que preferem construir prédios, preocupados em garantir grana em alugueis; outros investem no lazer e por aí vai...
A conversa acabou, fizemos uma breve análise de nossas próprias vidas, vimos no que tínhamos investido e ficamos satisfeitas, pois sabíamos que quando fossemos chamadas, para entregar os talentos multiplicados, não iríamos dar vexame. De certa forma, fizemos alguma coisa, dentro daquilo que recebemos.
Mas, para quem ainda acredita no capeta, parece uma tentação! Mexendo no celular, a seguinte frase: “ Veja a lista dos homens mais ricos do mundo.” Como a curiosidade é a tentação, que ainda consta na lista das fascinações não superadas, abri a caixa de pandora. Só bilhões! As pessoas mais ricas do Brasil. Donos de emissoras de televisão, banqueiros enricados. Muita grana!
E o que já estava resolvido, dos talentos multiplicados, vem à tona. É a maldita comparação.
Eu não sei se é vingança, coisa lá de dentro mesmo... Quando assisto nos jornais, notícias de assaltos a bancos, me dá uma felicidade RobbinHoodiana.
Pelo amor de Deus! Não estou incentivando ninguém a fazer essas besteiras. Nem concordo com isso. Só estou escrevendo isso hoje, porque estou vulnerável e as agruras estão fugindo das prisões mentais, sem que eu queira. Amanhã, é bem provável, que eu tenha me arrependido dessas contrariedades.
Para aplacar as angústias e sairmos por cima, dos banqueiros, é claro! Pensemos na conversa de Alexandre, O Grande, com Diógenes:
- Diógenes, eu sou Alexandre, O Grande. Posso te dar tudo o que desejares. Faça seu pedido.
Diógenes, filósofo que vivia em absoluta pobreza, que morava num tonel, responde, cinicamente, ao conquistador macedônio:
- Apenas, saia da minha frente, pois você está tirando o que não pode me dar, o Sol.
Aprendamos com Diógenes, entendendo que é preciso muito pouco para o nosso contentamento. Cada um tem aquilo que merece, segundo o seu desenvolvimento.
Em algum momento, Alexandre desejou ser Diógenes, para descansar às margens de um rio e esquecer as batalhas que trazia dentro do peito.

Selma Nardacci

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Selma Nardacci dos Reis
10/09/2019