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É oito ou oitenta

Nesse final de semana assistimos perplexos a execução, porque foi realmente isso o que aconteceu, embora as autoridades aleguem que foi uma fatalidade, de um cidadão, músico (negro, como foi exaustivamente divulgado) que acompanhado da mulher, filho, sogro e uma amiga e que viviam a vida normalmente, se é que hoje, principalmente na cidade maravilhosa, se pode viver normalmente, pelos jovens soldados do exército brasileiro.
É de se lamentar o despreparo, talvez até mesmo por causa do medo de patrulhar determinadas áreas no Rio de Janeiro, que os disparos de arma de fogo vão de oito a oitenta em fração de segundos. Não há mais abordagens para averiguações, primeiro atiram e depois se justificam. Oitenta tiros, era para não escapar ninguém com vida dentro daquele carro. Mas coube ao autor da vida, preservar os demais ocupantes do carro, pelo menos por enquanto, porque há alguém em estado crítico, para que o sofrimento da família não fosse demasiado. Que conclusão,  ou lição podemos extrair desse episódio? Concluir e definir como certa a nossa conclusão não podemos, pois não sabemos as razões e os reais motivos do fato. Porém, como o Estado do Rio de Janeiro foi durante cerca de duas décadas uma terra de ninguém devido ao governo corrupto que o comandou, hoje, para reparar esse erro, a força militar está usando do oito ou do oitenta para tentar por ordem na casa, só que os tiros estão saindo pela culatra.  O fogo cruzado tem atingido crianças dentro das escolas, pedestres nas ruas, passageiros nos coletivos, familiares em suas casas e cidadãos dentro de seus carros. Está difícil saber quem é quem nessa guerra. Quem era para nos proteger, nos matam. Quem era para governar é o primeiro a nos roubar. Inverteu-se os valores mas o povo continua levando a pior tomando oito ou oitenta tiros pelas ruas. O que será que ainda vem pela frente? Quando será que a cidade maravilhosa voltará a ser merecedora desse título?
Até quando continuaremos assistindo, perplexos, cenas como essa, de guerra urbana ceifando vidas inocentes, interrompendo sonhos, matando a esperança, deixando-nos sem força para viver apenas ouvindo justificativas infundadas sobre as razões para tantos tiros. Não precisamos mais disso, nem de oito e muito menos de oitenta tiros para vivermos em paz. E a lição que podemos tirar é que a arma de fogo não é garantia de segurança ou de proteção. Porque, uma arma nas mãos de quem quer que seja, se policial ou bandido, continuará sendo uma arma que só tem uma finalidade, matar. Portanto, quer tenhamos oito ou oitenta anos, o importante é viver e melhor ainda, em uma cidade maravilhosa...

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Zeca Moreira
21/05/2019

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