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Novamente


chego na praia deserta
desconhecida
tiro os chinelos
caminho em direção ao mar sentindo as areias nos pés
e o mar me alcança
a água salgada me toca
ela levemente vem e vai
um movimento ininterrupto
fico ali
quero me demorar
sentindo a areia molhada
as ondas que vem e vai
o Sol se põe no horizonte
e o mar azul claro escurece
as estrelas começam a despontar no céu
e eu choro
lágrimas rolam no meu ser
as ondas ainda me tocam
o tempo escorre
como as areias da ampulheta
em algum momento
eu sei
terei que ir embora
nem tudo que vem volta
as coisas no fim não são como o mar
deixo um castelo de areia construído na praia
que o vento o leve devagar
nele vai habitar toda a minha saudade
em cada grão
que chegue até onde você está
e que possa sentir
quando pisar a areia que formar
que eu gostaria que viesse de novo
e se fosse embora
me dissesse que iria voltar
como as ondas do mar
livre
vindo apenas para novamente
me tocar
 

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Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
10/01/2019