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Âmbito de Ahriman

Aos desesperados.

 

Zoroastrismo zeloso do zangado Deus

Que toda a criação corrompe em ímpetos devassos.

Manipulador de trevas infecundas, seus abraços

Trazem a ruína dos ajoelhados diante dos pés seus.

 

Neste vácuo sem vida, ventre pútrido e estéril

Onde apenas mais escuridão e malevolência nascem,

É tão natural ver um órgão devorando o outro, que se amassem

Para ocupar o espaço e função daquele enviado ao cemitério!

 

Seis vezes seis esta paixão maligna em nós se impregna!

A inveja a qual nos entorpece, a vingança pétrea;

O ódio em turbilhão ondino consolidando-se de forma vítrea

E levando a imaginação à brutalidade assassina!

 

E quanto nós, seres humanos em mácula veneramos

Tudo o que a arcaica entidade representa:

O conflito e as vísceras nos aprazem; a gentileza se afugenta

Nas relações infernais as quais cultivamos.

 

O âmbito, portanto, não é uma região, mas a terra toda.

Filhos da infâmia, crias do derradeiro declínio,

É o que somos diante do universal escrutínio

Que faz com que tudo de bom e duradouro se exploda!

 

Ahriman borbulha em mentes apodrecidas fincando pregos...

Lágrimas que escorrem sem causa em rostos putrefatos

E que sem mais esperanças de progresso, ignoram os fatos,

Tais quais o eu, tomado pelo negrume de olhos que ficarão cegos...

 

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Thiago da Silva Carbone
07/01/2019