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Aqueles olhos

olho

hoje os meus olhos não são mais os mesmos

olho

a distância é grande e quanto maior mais embasado eu vejo

olho

as coisas próximas não preenchem mais o vazio do peito, sinto um bater oco a cada olhar em vão a levantar

olho

as cores sem brilho, como as estrelas, borradas no mar sem fim azul escuro, tão distante como a memória que tento guardar na mente, que me foge constante, é como tentar segurar um punhado de areia

olho

já sinto saudade do que não terá volta, do que nem existiu, somente da presença que hoje é ausência para sempre sentida em cada pulsar, as peles nunca tocadas, a não ser em um abraço tímido de despedida de um olhar

olho

transbordo em rio constante todos os dias, enxugo os excessos e contorno os cílios, colocando os óculos, mas a distância já está feita, e não há binóculo para que eu a veja

olho

para dentro, as imagens sempre somem um dia, como letras em um papel amarelado com o tempo, pois nem tenho uma fotografia

olho

às vezes brilho, às vezes entristeço, como o dia se faz em tarde e noite todos os dias, às vezes noites muito frias

olho

a lembrança marcada na pupila, daqueles olhos que eu pude olhar um dia

 

 

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Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
17/12/2018

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