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E da janela


E da janela ela olhava
chovia
e na janela, os pingos caiam, batiam levemente na vidraça, escorriam como lágrimas
Somente um barulho, de chuva, o resto, silêncio reinava
E da janela ela olhava,
a rua deserta, mas algo ela esperava
Da cadeira, levantou-se, ajeitou-se, e com seu guarda chuva na mão abriu lentamente a porta e  depois o portão,
carregando nos ombros tamanha saudade
Andando pela calçada, seus sapatos ficando encharcados,
mãos úmidas
lábios secos,
garganta fechada
Lá foi ela, andando, vagarosamente na chuva, com a roupa já tão molhada
E no porto ficou, não era longe de sua morada,
e chovia, como chovia nesse pequeno percurso tão aguardado
Uma tamanha espera se abateu, de anos, de sonhos guardados
O navio então aportou, uma rampa desceu,
um guarda chuva, igual ao seu, despontou
Naquela chuva ela viu, era ela... A pessoa tão esperada
Num reboliço de guarda-chuvas, num enroscar e pedidos de desculpas
eles, os guarda-chuvas, foram soprados,  deixados ao vento, deixados de lado
E o que ficou foi um abraço apertado, um beijo molhado
Nenhuma já se importava, não era somente a chuva que escorria pelos rostos cansados
Os guarda-chuvas no chão, no chão já tão molhado
um encontro
uma antiga paixão
E na janela,
os pingos escorriam,
a chuva tudo molhava

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poesia antiga, que em 2015 virou um conto Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
16/10/2018

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