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DAS COISAS PERDIDAS OU ESQUECIDAS PELO CAMINHO


 
Está fazendo falta
O livro Vidas Secas do Graciliano Ramos
A cadelinha Suzi que tanto nós amamos
O som da Ave Maria vindo do campanário
Minha mãe dedilhando as contas do rosário
 
Fogo, fogão, foguinho do pular a corda
Meninas  felizes em cantigas de roda
As peladas na rua com a bola de meia
Numa praia qualquer um castelo de areia
 
O canto das cigarras em tardes de verão
As velhas  historias vindas  do sertão
Um seresteiro triste na alta madrugada
Do primeiro amor a foto amarelada
 
Nos dias  quentes os banhos no riacho
Carrinhos de rolimã ladeira abaixo
Jogo da amarelinha na calçada
A adolescente  de saia plissada
 
Na brisa mansa empinar um quadrado
Na cama de molas o colchão empalhado
O velho benzendo  para curar quebranto
A boneca de trapo esquecida  no canto
 
Lacrimosas novelas no radio de galena
Tardes modorrentas na cidade pequena
Pesca de vara no lento riozinho
Domingo matinê, torcer pelo mocinho
 
No forno a lenha o pão assado pobre
O caldo de  rapadura  no tacho de cobre  
O furto de  laranjas no quintal vizinho
Ovos se abrindo, nascendo passarinhos.
 
Assobio do saci nas noites da roça
Esconder-se  da chuva na palhoça
Na noite festiva sapatear catira
Entornar um  quentão com sucupira
 
No  circo mambembe chorar como criança
Ter “Filhos de Ninguem”, como lembrança
Ver palhaços a repetir velhas piadas,
Uma  plateia derreter  em gargalhadas.
 
Tanto tempo faz ou,  não é bem assim?
 
 
 
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BUENO
20/08/2018

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