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Página em branco


Ando, ando com as costas curvadas,
Ando, ando com os pés arrastados,
Ando, ando com a mão esquerda tremendo,
Ando, ando com os joelhos que quando com a bunda sentada não param,
Batem, batem uns nos outros, querendo ir embora para algum lugar 
 
Ando, ando na cama cansada por levantar, sair, realizar
 
Paro, olho, escuto
 
Ando, ando com a mente veloz, olho para tudo e ao mesmo tempo...
Paro!
Ouço...
 
Todos, todos, todos como eu...  Luz nos meus olhos a brilhar
Todos estão a andar, no entanto... Costas curvas, pés arrastados...
Voz a reclamar 
 
Ando, continuo, coincidência no ar, na água, em algum lugar...
Corpo fala, mesmo que o grito na garganta se cale
 
Ando, ando, mente a girar em todos a pensar...
Ando, ando e que o novo acordar seja para nós uma página em branco
Não para rabiscos desenhar
E sim linhas, linhas paralelas que nos levam de trem
 
Todos os dias, todos os dias, todos os dias
Até dormir e acordar
Página em branco...
Em um belo trem embarcar
Todas as manhãs
Não mais andar
Não mais rabiscar
 
Página em branco
Nada do passado a assombrar
...
Consertar
Quebrada não estar, ninguém...  

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Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
27/04/2018

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