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SONETO IV - MÓRBIDO ANDANTE

Não fosse o som da cigarra na gameleira,
Entoando a melodia da fúnebre crueza,
Seria dia de mormaço na capoeira,
E um silêncio impar, na cidade da tristeza.
 
E era meio dia, quando eu vagava vazio,
Entre os nomes e datas nas lápides,
Pensativo em mim, moribundo e frio,
A aspirar sob os mármores as calátides.
 
O homem merece a gélida sepultura,
Nas madeiras secas, ter seu cruzeiro,
E na terra vermelha, vermes e amargura.
 
Céu ou inferno, qual me valerá primeiro?
Livra-me Deus, da negra desventura,

 
E na paz do silêncio, eu seja teu herdeiro.

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Eber Fonseca
24/02/2017