UM RIO

 
Corria na cidade
Feito artéria azul
Um espelho de nuvens,
O sorriso dos pescadores.
 
Sob os arcos da ponte
Lembrava Monet e seus barcos.
 
As aves e as crianças
Emolduravam aquela tela
Natural de luz.
 
Ao fim da tarde
O rio transportava um sol brando,
Uma brisa flutuante
De sonhos amantes.
 
Um dia o rio parou
Agonizando no leito
Sem poder mostrar o céu.
 
Restaram as garças sobre o aguapé
Beliscando o peixe que não consegue nadar.
O que há de vivo é apenas o odor fétido
Revelando a natureza triste de dor.
 

 
                            (autor: Paulo Rogério Aires Martins)

Paulo Rogério Aires Martins
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