FANTASMA

Não há barulho


E qualquer barulho


E qualquer arrulho


Em qualquer entulho


Em qualquer rua


De viela deserta
Arrepia a coluna


Do transeunte
De goela quieta


Que caminha calado


- caminha fantasma –


Na calada


Na calçada


Que amplifica os passos


Que acumula os sacos


E, tropeçando numa latinha,


Desperta o latido


Que desperta a matilha


Que acossa o transeunte


Que busca no bolso


As chaves que o esconderão


Da calada...


Mas ainda resta


Uma quadra fantasma.

Praciano
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