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Com exceção de Amâncio Soares

As coisas só acontecem quando a gente  está “fora da lei”. Parece até que atrai. Fui a Macuco escondida do Sampaio. Não foi propriamente escondida. Só não comuniquei a ele. Depois de fazer tudo o que tinha planejado, peguei o carro e tomei o caminho de volta.
No percurso, encontrei um caminhão andando muito devagar e fiquei esperando a oportunidade de ultrapassá-lo. Depois de um pequeno espaço de tempo, o motorista acendeu a luz informando que eu poderia ir adiante. Confiei na experiência dele, engatei a marcha de força e arranquei... Infelizmente, dei de cara com outro caminhão. Fiquei estarrecida! Parei! Dei a ré e voltei a posição original. Os joelhos tremiam, mas mantive o controle, pois tudo dependia de raciocínio rápido.
Outra vez, sem o Sampaio saber, dirigi uma van até Conceição de Macabu e fui retida numa blitz por falta de carteira apropriada. Está vendo!? É a danada da desobediência! Este caminhão me deixou tão apavorada que já contratei um líder espiritual a priori para fazer a cerimônia de meu sepultamento. Deixei-o de sobreaviso. Quando eu morrer não quero ser enterrada como indigente espiritual. Quero um enterro bonito, com direito aquela singela homenagem que o Nestor Lopes costuma fazer na página do facebook.
Morrer é uma festa, é o momento de encontrar Deus e prestar conta de tudo aquilo que fizemos ou deixamos de fazer. Com certeza haverá um relatório me esperando e aí vão descobrir que eu não era nenhum primor.
Êpa! Êpa! Vamos parar com esse negócio de morte, porque atrai. Não posso morrer agora, pois ainda não recebi o décimo terceiro salário e não fechei a nota dos alunos no quarto bimestre. Imagina uma fila de alunos no velório me exigindo nota.
E tem uma coisa só morro depois de instalar uma banheira lá em casa – se Deus permitir, é claro. Vá lá que Ele se zangue comigo e me leve antes do tempo...
Que nada! Deus não é carrasco coisa nenhuma! Ele é amor! Gosta de rir e aprecia uma boa piada. Por falar em piada, dissera m por aí ( não sei se é piada ou se é verdade) que numa determinada igreja, entoavam um hino muito tradicional do Hinário Evangélico. A música era:
“Manso e suave Jesus Convidando,
Chama por ti e por mim,
Eis que Ele à porta te espera velando,
Chama ò pecador  vem...”
Na hora do cântico, passava na porta da Igreja um bêbado que , ao ouvir a música, resolveu entrar e se dirigir ao púlpito. O pastor que ministrava a cerimônia religiosa parou o culto e perguntou ao ébrio o que ele queria. Ao que o bêbado respondeu:
- Entrei porque chamaram o meu nome.
- Qual é o seu nome? – Perguntou o pastor.
- Amâncio Soares.
Foi aí que o bêbado se converteu, por confundir “Manso e Suave” com Amâncio Soares. Depois desse dia, Amâncio adotou suavemente o Cristianismo como religião oficial e provou a todos que Deus chama os homens respeitando suas peculiaridades.
Voltando ao que estava dizendo, só morro depois de tomar muitos banhos de banheira.
Só não posso usar o cartão de crédito do Sampaio se avisá-lo, senão dá tudo errado.

 
Com exceção de Amâncio “Suave”, tudo dá errado quando se está “fora da lei”... Parece até que atrai.

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Selma Nardacci dos Reis
10/05/2016

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