GUARDA-ROUPA


Deixei dentro do guarda-roupa,
uma bata do Ceará,
meu chapéu vaqueiro,
uma calça boca de sino,
minha Conga surrada,
tava tudo arrumado,
só que não encontro mais nada.


 

Dobrei e perfilei nas gavetas,
as mortalhas dos blocos,
as gravatas de ocasião,
tinha uma calça OP,
joelheira e meião.


 
 
Deixei dentro do guarda-roupa,
uma capanga de couro,
uma corrente sem ouro,
um Vulcabrás conservado,
minha sandália emborrachada,
só que não encontro mais nada.


 

Bolsa do Mercado Modelo,
Que preservei com zelo,
meu Kichute e seu imenso cadarço,
uma camiseta assinada por colegas de sala
de alguma série passada,
só que não encontro mais nada.

Acho que o guarda-roupa,
não guarda vida usada.
 
 

CARLOS FREITAS DE SENA
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