A tua mudez

Observo desconsolada, extasiada,
Meu coração arremessado ao chão
Como um objeto de teu malgrado.
 Eu posso ouvir a minha tristeza ecoar
Por entre as paredes que nos cercam
Sem você ao menos a escutar.
Mudo, você me observa enclinar
Sobre os pedaços daquilo que foi teu.
Levanto os olhos, fito teu semblante,
Estremeço diante do teu olhar acusador,
Como se estivesse me julgando
Por ter sido imprudente
Ao te oferecer amor.
Em prantos ergo-me,
Tento agarrar inutilmente a tua mão,
Trêmula, estupidamente esperançosa,
De você me salvar da minha estupidez,
De mostrar que tudo era só um pesadelo.
Você sorrir da minha benevolência,
Da minha imatura insistência
De ainda tentar encontrar em você
Amor por mim.
Tive raiva, uma incontrolável raiva!
Veio a vontade de gritar,
De quebrar o que estivesse à minha frente,
De dizer que te odiava,
Que te amar seria agora
Uma bobagem do passado.
Mas não, não tive forças,
Ainda te amava!
Você continuou mudo,
Quando eu disse que ainda te amava.
Ainda mudo a tua indiferença me respondeu
Que por mais que eu te amasse,
Você jamais me mereceu.
Você me dá as costas,
Mudo, vai se afastando de mim.
Mudo, deixa a entender
Que aqueles passos seriam
As pegadas deixadas por teu adeus.
Eu fiquei inerte, te observando,
Os olhos languidamente perdidos
Na tua imagem já embaçada.
Percebo, acordando do pesadelo,
Que não vale a pena chorar por amor
Quando não se é amada.

*-*Raiza*-*
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