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POEMA DOWN

NÃO SE VOLTA DUMA GUERRA DERROTADO
MESMO QUE SE VOLTE ALEIJADO
MESMO QUE SE VOLTE SEM O AMIGO DO LADO
MESMO QUE SE VOLTE COM O FUTEBOL AMPUTADO
NÃO SE VOLTA DUMA GUERRA DERROTADO.                                                                                                 
POR FAVOR, AMPUTE ISSO
COMO UMA BOMBA AMPUTA, DE INOCENTES, A VIDA.
A DERROTA NA GUERRA ESTÁ NA IDA.
RETORNANDO DA GUERRA NOTO QUE O MOTORISTA DO ÔNIBUS
É O MESMO MOTORISTA DE ÔNIBUS
DE QUANDO EU ERA UM COLEGIAL.
NOTO QUE O MESMO VALE AO COBRADOR
NOTO QUE O MESMO VALE A MIM,
AINDA COLEGIAL.
UM DEJAVÚ ENDEREÇADO AO MEU CORAÇÃO.
A ROSA DE HIROSHIMA
A USINA DE FUKUSHIMA
MINHA VIZINHA E SUA COLEÇÃO HIPOCONDRÍACA:
ORA LHE ATACA A FADIGA, ORA A PNEUMONIA,
ORA A DEPRESSÃO, ORA O CÃO, ORA A FAMÍLIA.
MINHA VIZINHA E SUA AURA RADIOATIVA.
NÃO QUERO ME ALISTAR A GUERRA NENHUMA
NÃO QUERO MAIS RESMUNGAR AO CÉU
SEI O PORRE QUE É O ATENDIMENTO AO PÚBLICO.
OS CACHORROS MOSTRAM OS DENTES
QUANDO PISADOS OS RABOS.
MINHAS FERIDAS TINHAM NOMES E ROSTOS
AS CICATRIZES SÓ TÊM A MIM MESMO.
SOU UMA CICATRIZ NA BARRIGA DA MINHA MÃE
(ELA É UMA FERIDA EM MIM)
MEU PAI É CICATRIZ EM MIM
E O AMOR NUNCA CICATRIZA
É SEMPRE CARNE-VIVA
QUE DESATINA, QUE MUDA A MOBÍLIA,
QUE FAZ UM FILME,
QUE MONTA UMA BANDA,
QUE APLAUDE SUA CÔMICA TRAGÉDIA
QUE NÃO TEM DUBLÊ NEM SEGURO NEM PEIXE;
QUE NÃO ACABA QUANDO ACABA A FITA
E VAI À LONA QUANDO DESCOBRE QUE SÃO ATORES
OS LUTADORES DE LUTA-LIVRE.
TANTOS DESTINOS
NOS PONTOS DE ÔNIBUS.
DESTINOS ATRASADOS
DESTINOS QUE ACABARAM DE PASSAR
DESTINOS LOTADOS
DESATINADOS
DESTINOS QUE DÃO UMA VOLTA
DESTINOS QUE DEMORAM
SEJAM MATUTINOS, SEJAM VESPERTINOS...
DESTINOS QUE ENGATAM A PRIMEIRA
E NÃO ENXERGAM VOCÊ NO RETROVISOR
BATENDO EM SUA LATARIA
COM CARA DE QUEM SE ATRASOU.
INÚMEROS DESTINOS
QUE ESPERAM O DESTINO DO COLETIVO
QUE PISA NO TEU CALCANHAR, TE DESCALÇANDO.
CIGANA,
NÃO LERÁS MINHA MÃO DIREITA
TAMPOUCO LERÁS A ESQUERDA.
TAL QUAL MINHA LETRA, MEU FUTURO É.
O QUE ERA PARA AMANHÃ JÁ É PARA ONTEM QUE JÁ É ANTEONTEM
E MINHA VIDA HOJE MUDOU DE NOME,
AO MEU NOME SE DESTINA UMA PEDRA,
MAS MEU SOBRENOME CONTINUARÁ NAS RUAS,
NOS DIAS, NAS BOCAS E NOS OLHOS,
POIS ANDA E CANTA O NOME QUE ESCOLHI.
NÃO HÁ SANGUE NOS OLHOS
NÃO HÁ CHORO NOS OLHOS
NÃO HÁ BANDEIRA VERMELHA REFLETIDA
NEM HASTEADA.
TALVEZ HAJA CONJUTIVITE
NOS OLHOS MARINHOS DELA
ELA E SUA ROTINA METROPOLITANA,
EU E MINHA MANIA DE MIGRAÇÃO.
DE MANHÃ TODOS ESTÃO CANSADOS
CANSADOS DE ACORDAR PELO DESPERTADOR
CANSADOS DO CARA QUE PÕE O DESPERTADOR PARA DESPERTAR
CANSADOS DOS DIAS E SUAS VISTAS COM GRADES
CANSADOS DO ITINERÁRIO
CANSADOS DO DESTINATÁRIO
E DAS HORAS EXTRAS TÃO ORDINÁRIAS.
HÁ QUEM ODEIE O NATAL
HÁ QUEM ODEIE O CARNAVAL
NÃO GOSTAM DE SOL NEM GOSTAM DE CHUVA,
PREFEREM O SOL OUTONINO AO SOL JUVENIL.
TEMEM QUE O CÃO ESTIMADO NÃO ACORDE
QUE A GATA DE VELUDO NÃO RETORNE.
TALVEZ SEJA TARDE PARA ESSAS PESSOAS
E TARDO A NOTAR ISSO
COMO TARDEI A ESCREVER ESSE POEMA,
POIS ESSE POEMA ME VENHO PELA MANHÃ
JUNTO ÀQUELAS ASPIRANTES A ENFERMAGEM
QUE NÃO MOTIVAM A CORAGEM
DE UMA VISITA FORTUITA NA MADRUGA
PARA TROCAR O SORO OU MEDIR A TEMPERATURA
DO MEU DELÍRIO.
TARDO A ESCREVER O POEMA
POIS ELE VENHO DE MANHÃ
CHEIRANDO A TINTA FRESCA,
AGORA ME LIMPO NESSE PAPEL
ANTES QUE SEQUE EM MIM.

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Praciano
15/03/2015

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