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CISCO NA IMENSIDÃO

Ah pátria,

já não te pertenço mais,

nem navio tenho, nem sei onde o cais,

deixa juntar-me aos meus que foram teus um dia,

cacos de sol dentro da poesia

que a ti componho como ode final,

sabes bem que nem foi por mal...

 

Me deito em papelões onde dormem multidões,

onde se aconchegam varados corações

como por flechas de São Sebastião;

nós, impuros de bolso,

soluços ouço,

a noite estende seu manto de estrelas rasgadas

sobre nós, que fomos tudo, somos nada,

só o amor é o nosso pão...

 

Ah minha pátria, que perdi ao me perder;

por um instante abres uma fenda por onde vaza

a claridão da alma que ilumina os becos do meu coração...

 

Me levanto e saio a dançar na rua vazia de tantos que partiram,

canto a rouquidão dos que gritaram em passeatas de salvação;

cansado, me deito e anjos varrem-me como cisco na imensidão... 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Prieto Moreno
07/02/2015