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Um Sonho

 “I had a dream, which was not at all a dream.”
Lord Byron, Darkness.
 
Quanto caminhei em busca de algo impalpável?
Não era um tesouro meu objeto de cobiça,
Entretanto, ainda assim, era algo inalcançável
E sonhei, novamente, uma ideia enfermiça...
 
Na água, a tranquilidade da morte.
No fogo, o calor e violência da vida.
Na terra, algo compacto, firme e forte.
No ar, o devaneio a ir à direção perdida.
 
Sonhei amores, mas alcancei paixões.
Perdi a convicção dos românticos e me tornei homem.
Livre das amarras da ordem e seus grilhões
Pensamentos caóticos, mas imundos me consomem.
 
Quanto eu me dediquei e cacei o amor?
Deve ter sido pouco, mas este pouco levou tempo demais.
Não posso dizer que senti potente dor
Mas não afirmo que não a sentirei jamais.
 
Nos sonhos, vesti a máscara tão desejada:
(Aquela que se quebrou na realidade).
Era uma cheia de sentimento, imaculada,
Num sonho onde jurei amar pela eternidade...
 
Mas eu bem sei que a ilusão não é concreta.
Conheço a mentira por trás do quimerismo.
Minha intenção é dissimulada, mas não é secreta:
Caminharei contigo até o abismo!
 
Há escuridão em mim, impregnando-me de fumaça.
A luz pura da jovem inocência
Deu lugar a um espectro que chegou e não passa,
Estacionado em minha vontade, tal como demência.
 
O que ganhei após tudo o que fiz?
(Um sonho o qual caiu como um castelo de cartas).
Caminho ainda, enganando, a descoberta quase por um triz;
Uma parte de mim é um fantasma de mil Espartas...
 
Este não é um poema de tristeza e depressão.
É um texto onde mergulho em mim e posso ser sincero.
Possam todas as línguas lê-lo e forjar um coração
Forte o bastante para encontrar o amor que tanto espero.
 
Mas e o sonho? (Onde ainda sou gentil e bom).
Permanece inalterado. (Mas os sentimentos são por quem?).
São por aquela que ainda não chegou? (Já ouço o som?).
Daquela a chegar por mim. (Mas na realidade não há ninguém).
 
Firme ainda, espírito seco, amor de granito
Rio, com um riso maquiavélico de jogador de xadrez.
Para onde foi o amor quente e infinito?
(Perdido nas desilusões da vida por sua vez...).
 
O que me aguarda então no final?
(Quem sabe, a falta de credibilidade, solitário e tristonho...).
Ou só sim, mas com o instinto animal
De sentir que tive um sonho que em tudo não foi sonho...

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Thiago da Silva Carbone
13/04/2014