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VINHO

NUMA TARDE QUALQUER, LENDO CAIO FERNANDO, ME VI CÚMPLICE DE MIM...
ESTRANHAMENTE, ENQUANTO LIA, PERCEBI QUE NÃO TINHA FIM.
UM BOM VINHO TINTO ME ACOMPANHAVA,
FALAVA E TRADUZIA O QUE EU DESCONFIAVA.
AQUELA PROFUNDA SOLIDÃO D'O MOFO' ME PERSEGUIA,
BEM COMO PERSEGUIA TAMBÉM À UM POBRE BOUCHONNÉ
(NÃO ESTE QUE ME ACOMPANHAVA, ESTE ERA DOCE)
MAS PERCEBI ALGO EM COMUM ENTRE HOMENS E VINHOS!
PODE PARECER LOUCURA, COMO QUEIRA, MAS TUDO ESTAVA SE ENCAIXANDO;
NÃO ESTAVA SEM EIRA NEM BEIRA, ESTAVA APENAS SÓ....
EU, O VINHO E O MOFO QUE CAIO CITOU.
A ESCURIDÃO E A DOR APERTAVAM MEUS PULMÕES, OS ESMAGAVAM
ERA COMO SE EU FOSSE PARAR DE RESPIRAR.
A LEITURA ERA INTENSA, TAL QUAL MINHAS LEMBRANÇAS,
E QUANDO DEI POR MIM, VI A PALMA DA MÃO ESQUERDA VERMELHA,
SEGURANDO FIRMEMENTE AQUELA TAÇA, COM UM VINHO VERMELHO COMO O SANGUE E A PALMA;
ENTÃO RELAXEI, ENCOSTEI-ME NA POLTRONA E DEGUSTEI SUAVE E LENTAMENTE
AQUELE VINHO QUE FALAVA E TRADUZIA, DOCE E CÚMPLICE, SOLITÁRIO COMO EU E O VELHO BOUCHONNÉ, AQUELE VINHO QUE AGORA ERA APENAS UMA BEBIDA QUE DESCIA PELA GARGANTA
ABRINDO CAMINHOS E ALIVIANDO TENSÕES. ABRIU MINHA MENTE OUTRA VEZ, MAS ERA APENAS VINHO E CONTINUEI MINHA LEITURA.

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MEU CANTO DE PENSAR

Karine Adriene
02/01/2014