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Carta ao Poeta Vinicius Garcia

 Querido Amigo:
 
De repente eu me vi perdido.  Já não sabia onde foi parar o riso, as flores, os sabores, os perfumes...
Não sabia onde foi parar a poesia, por que não sabia onde foi parar a minha alma.
Estava enfurecido por que não conseguia encontrar dentro de mim a força para perdoar pessoas da minha própria família que me causaram tanto sofreimento e tanta dor.  E não podendo perdoá-los, não podia me perdoar.  Estava preso em um poço de areia-movediça.  E quanto mais eu me debatia, mais afundava.
Escrevi então um e-mail para um amigo que lembrou da história de um rei.  Um rei que não era um simples rei, mas era o maior de todos os reis, por isso, vou escrevê-lo com letra maiúscula.
Esse Rei, mesmo sendo o mais bondoso e sábio de todos os reis, foi aprisionado e torturado pelos seus próprios súditos.  Foi humilhado, foi julgado e condenado e por fim, foi executado.  Decidi então, me aprofundar e melhor conhecer os aspectos mecânicos e fisiológicos da sua execução, a crucificação:  A morte por crucificação ocorre depois de uma lenta e dolorosa agonia.  O crucificado morre, geralmente, em até três dias, resultado do longo tempo suspenso na cruz, sem receber alimento ou água.  Morre em função do martírio, após esgotadas as suas últimas energias.  A cruz normalmente utilizada pelos romanos, não era no formato cruciforme que normalmente imaginamos.  A cruz romana era composta de uma estaca, previamente presa ao solo, e de uma travessa que o condenado carregava presa aos ombros, até o local da execução e que se chamava “patíbulo”.  Alguns condenados tinham as mãos amarradas ao patíbulo e depois pregadas com longos cravos. Depois de erguidos na estaca, possuíam um formato mais parecido com um “T”, do que o formato de cruz que imaginamos.  Após suspenso, geralmente era pregado, sob os pés do condenado, um suporte, aonde ele podia apoiar os pés e ajudar a suportar o peso do corpo, permitindo que o condenado sobrevivesse durante muito tempo, prolongando a sua agonia e humilhação.  Alguns, entretanto, como no caso desse Rei da história, tinham os pés pregados ao lado da trave, com longos cravos que atravessavam o osso do calcanhar, com as pernas ligeiramente flexionadas.  Dessa forma, os pés não podiam ajudar a sustentar o peso do corpo, pois ao tentar apoiar-se nos pés, a dor era alucinante, ficando todo o peso, sustentado pelos braços abertos, pregados ao patíbulo, através de pregos que atravessavam o osso maior do pulso, chamado “escafóide”.  Ao ser atravessado pela haste de metal, o osso de esfacela, e ao receber o peso do corpo, uma dor lancinante dilacera o condenado.  Os pulsos eram também amarrados à trave, para que com o peso do corpo, os cravos não rasgassem à carne, fazendo com que o condenado caísse ao chão.  Nessa modalidade de crucificação, o condenado geralmente, morria com mais rapidez, pois tendo o peso do corpo, sustentado somente pelos braços abertos, com o passar das horas, tinha os ossos do ombro e dos braços, desarticulados e assim, sofrendo dores atrozes  e sem poder mais sustentar o seu peso, seus pulmões entravam em colapso, enchendo de fluídos e o executado sucumbia por falência respiratória ou infarto fulminante.
Alguns, como esse Rei, eram barbaramente açoitados através de um chicote de três pontas, com garras de aço nas pontas, que arrancavam pedaços da carne ao atingir o corpo, chamado “falgelum”.  Esse Rei, foi tão flagelado (esse é o termo correto) que, apesar de sua condição sobre humana, não foi capaz de conduzir o patíbulo desde o local da sua tortura, até o local da crucificação, sendo necessário que um homem da Cidade de Cirene, chamado Simão, o ajudasse a completar o trajeto de seiscentos metros, aproximadamente, pois Ele não possuía mais forças.  Estima-se que o patíbulo pesasse entre dez ou quinze quilos.  Mas tão debilitado era o estado desse Rei, que ele não possuía forças para completar o trajeto.  
Os romanos tinham ainda, o hábito de colocar uma tabuleta em um nicho escavado na rocha, aos pés do condenado, ou sobre as suas cabeças, contendo os crimes de que era acusado, para que todos os que por ali passassem, soubessem da sua condenação e a tomassem por exemplo.  Sobre esse Rei, o Governador da Judéia Poncio Pilatos, mandou escrever a seguinte abreviação “Iejus Nazarenus, Rex Iuden” (INRI), que significa: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.  Colocaram ainda, sobre a sua cabeça, uma coroa trançada com arbustos espinhosos e que lhe feriam à carne, ajoelhando-se diante dEle e fazendo reverências, zombavam, dizendo: Salve Rei dos Judeus... lhe cuspindo à face... Desnecessário continuar... importante, entretanto, esclarecer esses fatos, para dar uma pequena idéia do sofrimento atroz a que foi submetido esse Rei.
  
Seu crime: Amar aos seus, com toda as suas forças, trazendo para eles, uma mensagem de amor, paz e esperança...
 
Sua sentença: Tortura e morte.
 
Suas palavras: “Pai, perdoa-os, por que eles não sabem o que fazem”... Rogando a Deus, pelos seus algozes, Esse Rei, foi capaz de amá-los e de perdoá-los, mesmo no auge de sua tortura e sofrimento.
 
A minha lição: A consciência da minha vergonha e insignificância, e uma imensa compreensão de que eu não podia perdoar, por que não possuía a menor idéia do que significava o verdadeiro perdão;
 
O amigo que me lembrou: Ronaldo Russo.
A minha obrigação: Repassar adiante...
 

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BRUNO
30/11/2013

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