25 de Dezembro de 2003

Karen, perdoe-nos sentir tanto a sua falta. Primeiro Natal sem você, depois de dezesseis anos. Somos humanamente egoístas.

Hoje posso ver, e antes não percebia em toda a sua extensão, como havia egoísmo em sentir prazer com sua alegre e amorosa presença, sabendo que a vida para você era repleta de permanentes e duríssimos sacrifícios.
Sacrificada pelas limitações e sofrimentos de sua natureza física, cruelmente moldada desde o nascimento, você heroicamente era alegre. Em lugar de revolta você só externava amor.

Você sorria para nós, abraçava-nos, com delicadeza pegava nossa mão, beijava-nos. Talvez tenham sido estes os poucos gestos que você fez por iniciativa sua e sem auxílio alheio.

Como você devia sofrer sem poder se queixar, sem poder falar para dizer de uma dor qualquer, amargando sua diferença para as outras crianças, para colegas, sentindo a pesada carga da excepcionalidade. ... E, resignada, só devolvia amor...

Teríamos nós o direito de lamentar sua libertação dessa vida de sacrifícios?
Choro sua perda em razão de minha imperfeição humana, mas hoje imagino que você cumpriu heroicamente sua árdua missão junto a nós e merece ser recompensada.
Não sofra mais por nós: aprenderemos a ve-la como vemos os anjos e os santos.

Peçamos a Deus que, ausente entre nós neste primeiro Natal, você, embora sem presentes, sem Papai Noel, sem árvore de Natal, seja levada em triunfo e glória à presença do maior e verdadeiro ANIVERSARIANTE DESTE DIA e possa sentir toda a sua luz e seu amor.

...E você, que em toda a sua vida não falou uma única palavra, como nós queríamos, repita agora livre, com todos os outros anjos: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA A TODA A HUMANIDADE!

OBRIGADO, KAREN. FELIZ NATAL!