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Instantâneo... (de amor)

 

Desato os feixes de cores

que reverberam em meu sonso olhar...

Desato a louvar o Altíssimo

pelos dons que Ele concede!

Transmutar olhos em ouvidos,

palavras em sussurros,

delírios no sentir frenético e raro...

Ah! Inspiração que erradia euforia e 

avilta o tempo e o espaço!

Ah! Quimera ansiada e entronizada

no íntimo do ser...

Abismado e em sonho contemplo o jardim rico e lindo!

O jardim é pra mim duplamente importante

e é meridiano!

Da roseira mais nobre escolhi uma rosa olorosa e macia;

tão rosinha e enfeitada por pólens lisinhos!

Ela treme e se encolhe ao meu toque gentil

que, de longe, ressente feliz terno toque.

É a rosa que é rara e que inspira esses versos;

rosa inteira entre caules marfim-salmonados.

"— Ei Nirvana! Eis que és pouco e me rio de ti"!

Não concebe o meu gozo inefável, coitado...

"— Tu sorris, minha musa"?

Eis que a dor não supera esse brilho no olhar

que pressinto daqui, do covil de poeta

que é o salteador desse corpo, ora frágil.

Arrepio me percore ao provar dessa trama

ideada nos meus mais profundos recônditos!

"— Mera pausa, ó Prenda"!

"— Hora de conversar com QUEM há de fazer

tua dor desistir de morar ao teu lado"...

Ronaldo Rhusso

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RONALDO RHUSSO
08/09/2012