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Adeus aos Medos

Adeus aos Medos

 

Lento despertar do raciocínio,

 observa um calendário

 com seus dias riscados.

 Olha para o relógio,

 mas as horas fugiram.

 Temendo a estupidez da vida,

 Acaba por concluir

 que já sobreviveu a tantos dias,

 eles se foram-e ele ficou.

 Mesmo que momentaneamente

 se vê como vencedor do oponente tempo.

 Inquieta-se de vez,

 agita-se com tal pensamento.

 Quer beber algo.

 Quer saborear alguma coisa.

 Quer ligar o rádio, 

 Quem sabe, ligar a televisão,

 quer fazer contato com o mundo,

 não sabendo nisso haver

 um sentido de atração

 ou de fuga ocasional.

 Inunda o ar com perguntas

 uma tensão pacífica espalha-se.

 Diverte-se com

 suas muitas questões.

 Distrai-se com

 emoções e idéias perdidas. 

 Caminha solitário

 no seu mundo encantado.

 A noite caminha vagarosamente,

 satisfaz-se com sua companhia,

 confraterniza-se em afinidades,

 confessa-lhe mágoas e obstinações,

 livra-se assim

 de um  fardo indesejável.

 Em meio aos azuis

 da luminosidade noturna,

 o incandescer vermelho

 de seu coração inquieto.

 Imprevista satisfação,

 surpreendente felicidade,

 um irresistível sorriso,

 ao ver que velhos fantasmas

 da sua intimidade

 fugirem, ladinos, pela janela.

 

 

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Gilberto Brandão Marcon
13/10/2011