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UNIÃO QUASE INSANA

E foi assim que cheguei, como areia que o vento traz
às praias do deserto. Lábios trincados, corpo escorchado
buscando o alento de uma sombra no espaço, e paz;
paz para um perdido no mundo, por dores perpassado.
 
Então ao longe  tremeluziu uma forma, desfocada, distante
caminhando sem rastros, esvoaçando na luz escaldante
que o sol derramava sobre os vales sem verde, furioso,
como se quisesse queimar o que o mundo tem de formoso.
 
Estendi a mão e me dei à forma, sem ao menos saber
de onde ela vinha, quem era ou o que pretendia. Foi então
que ribombando no ar como o som de um trovão
palavras se formaram  e eu as pudesse entender:
 
"Sou aquele que sempre esteve contigo
Teu maior, mais próximo e íntimo amigo."
 
Em minhas andanças, dentro e fora do mundo
fosse qual fosse a paragem, percebi naquele segundo
que jamais estive só, pois embora perdido, a esmo
sempre esteve comigo a presença de mim mesmo.
 
Um Eu Maior, um eu mortal, frutos de união quase insana
separados até quando o eu mortal sente a gana
de viver além da dor que o finito lhe traz. Nessa hora o Eu Interno,
até então calado e oculto, aflora para por fim ao sofrido inferno.
 
Unidos como sol e luz, mesmo sem ter consciência
finito e infinito caminham juntos, mas também separados,
e é só quando se rompe o grilhão da inconsciência
que ambos podem se ver, e viver, por fim completados.


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HC
07/07/2011

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