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Se o silêncio lhe diz..

[Ilustração não carregada]

 
SE O SILÊNCIO LHE DIZ
 
-Sentada absorta à sua espera...
- Tola!
-Quisera entender as razões do amor....
-Tola!
-Queria, enfim, dispersar ou dissecar minha dor.
-Tola, tola, tola.
 
(Nasce um rio,
Nasce e deságua na corrente.
Segue seu curso levando as flores
E tudo que ronda os amores.
Nessas águas, a tristeza se vai
Mansinha...
Tomar outro rumo.
O prumo de outro peito qualquer.
 
- Sentada, faço-lhe versos francos e raros.
- Por quê?
- Como se cada pedaço fosse um beijo...
- Por quê?
- Como se o dia fosse uma doce espera.
- Diga-me , por que, mulher?
 
(Se o rio circundasse a sua vila,
O curso dessa história não teria fim.
E as águas desenhariam uma lua.
Para você.
Toda nua,
Cheirando a  um impregnante   jamim)
 
- Sentada fico e a janela se abre ao sul.
- Vá!
- Escuto o riacho chorar como um drama que aflige os olhos.
- Vá!
- Nada me impede de voar e crer na rendenção.
- Se vem me ouvindo, vá,mulher, vá!
 
(Eu quero te amar...
E já não importa se você não quer.
Meu peito está cheio
E eu quero explodir de amor.
Eu quero,
Antes do fim,
De qualquer fim,
Responder a mim
O que é,
Exatamente
Esse Deus.
Que me regeu por toda a vida,
Sem nunca se explicar.
Quero vê-lo dissecado
E, num delírio, traduzido
Em dialetos, idiomas
E até sinais de fumaça)
 
- Se o silêncio lhe diz, vá!
Voltando viva,
Açoite-me com tais veredas.
Pois, de onde estou,
Do alto de alguma arrogância
Ou das profundezas da covardia
Sei lá.
Nada posso fazer,
Senão menosprezar
A magnitude desse sentimento
Miraculoso
E a pureza angelical da sua alma.
 
 
 
Francisco Abel Mendes d’Almeida
  e
Soraia Santiago.
 

 

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Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio.
Simone de Beauvoir aqui...ai..

Ciganita
& Francisco Abel Mendes d`Almeida
24/01/2011