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O Prazer de Viver

O Prazer de Viver



Adormecer do sol diário. 
Pontilham luzes no horizonte longínquo.
Os sons imperativos do cotidiano dão lugar 
aos murmúrios da natureza.
A tensão nervosa das emoções dá lugar 
a uma suave sensualidade.
O calor incômodo do transcorrer do dia 
dá lugar à brisa fria 
que cria mornidão agradável.
O ar mais rarefeito 
adentra com maior facilidade 
os pulmões, alimentando o coração.
Uma satisfação, a principio oculta, 
quer vir à tona, quer desabrochar em vida.
Sentimentos divididos se organizam 
num seguro vivenciar sensorial.
Corpo e espirito parecem estar tão próximos... 
 Aconchego da alma no casulo corporal.
As sobras do crepúsculo tingem 
de um sombrear dourado toda a paisagem.
Abandona-se à individualidade para se perder 
numa confortável impessoalidade.
Finge perder-se de si, mas é posseiro 
da própria integridade.
Sente afinidade com o universo sem ser 
seu dono ou ter sua posse.  
Estranha liberdade.
Identifica-se com os sonhadores 
que se hospedam nas suas torres de marfim.
Nuvens rarefeitas dão um tom pessoal 
à crepuscular pintura celeste.
O coração pulsa forte, parece dominado 
por ingênua felicidade, por estar vivo.
O lado impalpável do ser se confraterniza 
com sua face tangível.
Santificado suor denuncia a inquietação 
das correntes sangüíneas, sente-se saudável.
A epiderme sente o afeto da harmonia do momento, 
suaves caricias da natureza.
Os músculos preguiçosos 
descansam sobre a estrutura óssea do corpo.
Abandona  toda memória 
para viver exclusivamente o presente.
Despoja-se das responsabilidades 
e das velhas culpas.
Torna-se leve, identifica-se com a pluma 
a planar nas correntes de vento.
Cercado por silêncio particular 
parece ouvir sonora voz 
a contar-lhe íntimos segredos.
Nunca a intimidade, foi tão integral.
Desapareceram as dúvidas, 
torna-se dono de certezas.
Nasce a noite, a principio 
apenas espreita no horizonte, 
para depois abrir o seu manto.
Tecidos de seda, de eterelidade sensual,
de sedutora transparência.
O prazer é saudável, é reconhecimento de vida.
Desejava tocar com os lábios as faces da noite.
Envolve-se pelo conjunto de tudo, 
passa a fazer parte, integrar-se.
Mergulha em si mesmo, para descobrir o todo 
que o cerca e está feliz por isto.

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Gilberto Brandão Marcon
02/04/2010