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Á Dina.

                                    À Dina.
 
Tu és, ó filha, a mãe Hagar,
No deserto cimentado da vida
Embriagada de vontade de amar
Os filhos, a educação, a lida...
 
Tu és Nadir, Maria, Selma, Alma,
Gana, garra, desejo, lágrima, dor,
Sorriso, esperança, mãe, pai, Condor,
Cisne, tormenta, mar em fúria e calma.
 
Tu és real, sem sonho, sem férias, sem sina,
Com cansaço, com orgulho, com silêncio...
Atravessa dias, luas, noites, lidas, teimas,
Feito musa, rainha, escrava, se inclina.
 
Tu és, ó filha, mulher num país machista,
A Bela no conto da fera, o perdão, a culpa,
Quantos alunos saíram de tuas entranhas?
A borboleta errante que soa e sua na luta.
 
Tu és, ó filha, o bálsamo na ferida confusa,
Heroína de Jeová, poema de Uberaba...
Levante-te, viva, faça, ria, grite, ouse...
Teu sorriso é a aurora pro teu eu.
 
Na tempestade da vida tu és Dina,
Na prece ao Pastor, tu és a menina,
Na sexualidade humana, tu és amor,
No verso tu és a competente Henriquedina.

Daniel Rosa
12/03/2010