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SAUDADES, QUE SAUDADES (Prosa poética)


Saudades, que saudades.

 
Dos tempos que não voltam mais
Saudades do roçado, do carpido (capinado)
Saudades da infância no interior
Daquele tempo em que se dava bênção aos pais, avós, tios, madrinhas... Na verdade, pedia-se as bênçãos destes queridos, e ouvia-se a doce voz, às vezes até emocionada, principalmente da mamãe: “ Deus te abençoooe meu filho.” E como as palavras têm
poder, éramos abençoados, mesmo!
Saudades daquele tempo em que se respeitava aos pais, e assim, aprendíamos a respeitar aos outros. Daquele tempo em que tínhamos que tratar nossos pais, avós, tios... de senhor e senhora, e não de você. Caso contrário, éramos bem corrigidos.
Saudades de quando com apenas uma olhada do pai ou da mãe, já entendíamos o que viria depois que a visita fosse embora.
Saudades do tempo em que a Psicologia em casa tinha outro nome, conforme a região. Era couro, rabo de tatu, vara de marmelo, chibata... E assim nos tornávamos pessoas de bens, trabalhadores, justos, responsáveis e respeitadores.

 
Saudade, que saudades.

 
Saudades da professorinha, que tínhamos que chamá-la de professora, ou simplesmente Dona Fulana... Maria, Edite, Olga... e nunca de tia.
Saudades de quando aprendíamos em casa, que tínhamos que respeitar nossos professores, pois eles eram o nosso segundo pai e segunda mãe.
Saudades quando aprendíamos as primeiras letras do ABC. Eram: a, e, i, o, u. Em seguida, tínhamos que aprender primeiro todo o ABC; só então, íamos para o “b a, bá. B é, bé. B i, bi...
Saudades dos bons tempos em que na escola cantávamos o Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Independência...
Saudades daquelas chamada Hora Cívica, em que aprendíamos os princípios de cidadania.
Saudades de quando na sala de aula chegava alguém visitante, ficávamos em pé.
Saudades de quando na escola marchávamos como soldados, com nosso uniforme, um guarda-pó branco e um sapato chamado colegial. Quando ouvíamos a voz de comando da professora que dizia: “sentido. Um, dois. Todos... marchando. Um, dois. Um, dois. Um,...” e depois brincávamos (longe dela, é claro) de: um, dois, feijão com arroz. Três, quatro, feijão no prato... e assim por diante.

 
Saudades, que saudades.

 
Saudades da velha Constituição Federal (anterior a de 1988), em que o menor podia trabalhar livremente, sem prejudicar os estudos e a infância. Não sobrava tempo para aprender coisas erradas. Quase não existia usuário de drogas.
Saudades do tempo de criança e adolescente, em que trabalhávamos, estudávamos e brincávamos, sem essa de prejudicar a infância. E assim, nos tornávamos homens e mulheres trabalhadores e exemplos a ser seguido.

 
Saudades, que saudades.

 
Saudades daquele tempo em que a criminalidade no Brasil era bem baixo, ou quase zero.
Saudades de quando existia os verdadeiros Direitos Humanos para pessoas de bens, e não para bandidos frios e calculistas, assassinos, sequestradores...
Saudades de quando se ouvia falar de assalto à mão armada, parecia coisas de outro mundo. Ficava todo mundo assustado, porque não era corriqueiro, como hoje.

 
Saudades, que saudades...

 
(Christiano Nunes)
 
PS. Alguns versos foram inspirados no poema Pátria Amada Brasil, de Jairo Valio.

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Christiano Nunes
02/02/2010