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DEVANEIOS

20/07/2009                                                                                                                                                                                                                                                         01:54
 
Por um momento estive dentro de seus olhos e pude ver o que sua alma esconde de mim. Escondia.
Pude ter o que suas mãos ocultam no seu toque. Tive o beijo que sua vergonha não deixa a boca dar. Descobri segredos e poucos sonhos. Tolas ilusões...
Por um momento o tive inteiro, como seu medo jamais deixou te ter. Sem devaneios, sem mentiras. Sem nada mais...
Eu tive você sem palavras forçadas e esforços sutis. Sem tragédias e poucas promessas. Sem sem...
Este momento inteiro dentro de seus olhos eu fui rainha e plebe e nada também.
Eu senti a energia que corre entre seus níveis e pude senti-los. Intactos.
Você imóvel olha... para mim? Talvez sim. Deveria.
Olha de leve, de canto... apenas olha. Olha pra mim. Olha para um inexistente sempre ou para um ligeiro fim? Olha.
Poderíamos morrer ali. Ou viver para sempre. Poderíamos nos tocar, ou apenas continuar assim. Silenciosos. Precisos.
Eu sempre terei esse doce momento. Como o singelo por do sol no final de cada dia.
Como cada tempestade de verão, como cada dor na partida...
Acho que me pertencem também o seu jeito esquisito e as flores que ainda sobrevivem no vaso da sala. Pertence também o arrepio de suas mãos frias e o deslize de sua pele bem feita. Meu tipo ideal.  
Poucas palavras, necessárias palavras. Poucos medos, desnecessários medos. Um pouco de nós...
Tudo de mim.
Visto-me para um até logo demorado. Para pessoas vazias. Para sonhos possíveis.
Você finalmente se expressa: sorri.
Não retribuo.
Penso.
 

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Carmen Locatelli
27/07/2009