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BASTA


BASTA

Não basta ser enganador, também tem que ser espectador
Não basta dizer asneira, também tem que falar brincadeira
Não basta ser corrupto, também tem que saber ser rupto
Não basta todo político enganar, também tem que roubar
Não basta os livros conhecer, também tem que entender
Não basta o olhar acadêmico, também o saber sistêmico
Não basta ser sintético, também tem que ser hermético
Não basta ser um analítico, também tem que ser crítico
Não basta ser chato, também tem que parecer caricato
Não basta ser vegetariano, também tem que ser vegano
Não basta o crente orar, também tem que saber respeitar
Não basta o católico rezar, também tem que ser e mostrar
Não basta ser vil mentiroso, também tem que ser invejoso
Não basta ser vazio, também tem que sentir o solitário frio
Não basta ser gay, também tem que se assumir e ser o rei
Não basta se apaixonar, também tem que aprender a amar
Não basta amar, também tem que sentir o tesão de se doar
Não basta ser insignificante, também tem que ser arrogante
Não basta ter medo, também tem que escalar o alto rochedo
Não basta trabalhar, também tem que no seu ofício, dignificar
Não basta chorar, também é essencial na vida, se conformar
Não basta dormir, também tem que sonhar o sonho de sorrir
Não basta calar, também é preciso às vezes, mais que gritar
Não basta sofrer, também é necessário saber como resolver
Não basta desejar, também se faz imperioso tentar alcançar
Não basta conhecer filosofia, também tem que viver poesia
Não basta sobreviver, também tem que saber melhor viver
Não basta viver, para além disso, o que vale é transcender

Marco Antônio Abreu Florentino

Prosa poética que faz analogia a um chapéu que tem todas as medidas de cabeças, pensantes ou não, que possam achar que lhes encaixam em alguns dos versos.

https://youtu.be/M4vbJQ-MrKo
(Hey Buldog - The Beatles)

 

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Marco Antônio Abreu Florentino
09/03/2018

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