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Sistema Trappist-1


Sistema Trappist-1
A Xavier Beauvois, Michael Gillon & Spock
 
“A distância mais longa é aquela entre a cabeça e o coração.” Thomas Merton.
 
Na abadia de La Trape, o monge Armand Jean ora
Olhando aos céus, já da noite altas horas ...
Vê várias estrelas, em noite clara,
Embora não veja as estrelas mais fracas de luz rara...
E uma invisível aos seus olhos cansados,
De luz sutil emite um raio tímido avermelhado...
 
Mais de 300 anos depois, um telescópio
Transitando em busca de planetas e planetesimais
Depara-se com aquela estrela de luz fraca de caleidoscópio
E foi a que como um invisível ópio chamara por demais
A vista do monge Armand Jean na direção de Aquário
E que o fizera sonhar com um universo vário...
 
Sete Terras giram ao seu redor, rapidamente,
Enumeradas sem graça ou imaginação
Por letras apenas de “B” até “H” somente...
Em honra do acrônimo formado e não outra razão,
Sugiro denominar estes astros irmanados por estes nomes afinal:
Namur, La Trappe, Westmalle, Saint Sixtus, Dimay, Achel e D’Orval!
 
São os nomes de sete cervejas feitas pelos trappistas,
Que tanto e com tal zelo as fabricaram por tantas eras,
E desde o dia em que Armand Jean olhou aquele ponto sem vista,
Que aquela luz tênue, invisível aos olhos de humanos e feras
Guarda a esperança e o segredo que as almas curiosas buscam:
“Estamos sós nessa imensidão?”, e em Aquário outras estrelas ofuscam!
 
Mas, de certo, por outra ordem e questão,
Também podemos mudar nossa impávida sugestão!
Dar nomes de cervejas aos planetas plausíveis de vida,
Melhor seria renomeá-los com os monges de vidas sofridas
Que na Argélia foram martirizados em época recente,
Assim, aos planetas os chamemos de forma coerente
 
Ao planeta Trappist-G batizemos por Luc,
Que foi o mais velho dos mártires, salve extraterrestres Luquistas!
Ao planeta Trappist-B o chamemos por Bruno,
Que seu professorado se torne exemplo aos Brunistas!
Ao planeta Trappist-C o denominemos por Célestin,
Que suas tarefas de organista emocionem os celestinistas!
 
Ao astro Trappist-F o tratemos por Christian,
Que saibam os christianistas superar as diferenças religiosas!
Ao astro Trappist-E o certifiquemos como Paul,
Mecânicos e hidráulicos paulistas lhe dêem salvas prestimosas!
Ao astro Trappist-D o nomeamos por Michel,
Que tão bem saibam fazer queijos os alienígenas michelistas!
 
E, por fim, ao exoplaneta Trappist-H o tratemos por Christophe,
Que amem a música mais que tudo os christophenitas!
Mas que ousadia imaginativa a minha se propõe agora?!
Se durará trilhões de anos a existência daquele sistema
E tão velha quanto se pode pensar surgida uma aurora
Dum mundo civilizado lá, nomes melhores têm por emblemas!

 

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Jayro Luna
01/04/2017