Site de Poesias

Menu

Orvalho

Meu coração salpicado de você
Chove horas, move o céu...já não vê
Chora mágoas, tolhe sonhos, ilusão...
Mergulhado nessas águas,  sons tristonhos
São medonhos, são prisão.
 
Ausência severa que reverbera o sofrimento
Lamento solitário, unguento, escapulário.

Aguento esse lento tormento por pura misericórdia
Discórdia entre a vida, atrevida , sem pedir licença
 
E a morte que de sorte me leva a cada minuto um pouco mais.
Barco à deriva, tentativa à toa, busca o cais. Impossível retornar.
Nos veios desta estrada calejada de saudade
Os pés deixam os rastros de uma tal felicidade, devagar.
 
Porém de lembranças ainda se vive, se alegra, se encanta...
Debaixo de um pé de fantasias, à sombra da santa poesia
Que voa e entoa  no ar uma bela melodia que em tudo busca  calma
E refrigera a alma, e a fera que voraz me dilacera, se desfaz
 
Entre o outono e a primavera no peito, desfeito todo mal
Mas o esquecimento não esquece e parece feliz, mas quem diz
Que não floresce quando o orvalho beija a grama
E o sol se põe tardio e a noite torna frio o coração de quem ama!

 
 

Compartilhar
Darci Seccon Jr
22/02/2017