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A Casa, o Cão e o Sax!

 

 
Essa casa foi criada
Para a plenitude da sua liberdade
Destituída de razões
Calcada na inconstância de suas emoções
Dentre os escombros da realidade
Nua infinitude
 
Sagrado refúgio
Que se estende entre
Os largos ombros
De uma imponente montanha
Que pisa as águas
De um oceano sem fim
Tamanha montanha
Em latente presságio
 
A ampla sala é companheira
E abrigo
Sempre que preciso
Enfim, alheia as insanas
Convenções terrenas
 
Um mirante do mar
No peito
 
Imensas janelas e
Escassa mobília
Tendo ao chão
Um soberano peludo
Preguiçoso cão negro
Espalhado e abraçado
Pelo mármore frio e escuro
 
Outros cômodos devem existir
Mas são ignorados
Até aqui
 
Durante a longa madrugada
As alvas cortinas
Em um movimento descompassado
Não desistem de lutar contra o vento
Elas teimam em agarrá-lo, em vão!
 
Em noites de luar, elas se abrem
Em delicada reverência
Deixando a lua entrar e se apreciar
Tocando o mármore preto
Que descansa ao chão
Com seu amigo, o cão!
 
Nessas noites
Ele observa a natureza
Estendendo suas estrelas pelo céu
Pega o sax ao lado da lareira
E desce a montanha
Pela extensa escada de pedras
E para extasiado
Deixando os seus olhos se derramarem
Na imagem das lindas cortinas
Em seu eteno bailado
 
Sua pedra confidente o espera
Como sempre
Não existe aconchego melhor
E agora, o som parte do sax
Ao encontro do horizonte
Que finda na ponta
Do manto iluminado pelas estrelas
 
Juarez Florintino Dias Filho

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Juarez Florintino Dias Filho
14/09/2016

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