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OUVIDO ABSOLUTO

[Ilustração não carregada]

(Lucilla Guedes)

Sempre os ruídos, os barulhos estridentes, os gritos,
Falação de gente desmiolada, estampidos e rouquidão,
Nem de madrugada dá trégua a estaca do som,
Depois de escalar-me o corpo até ferir-me os ouvidos.

Vêm do rádio, da janela e do aparelho televisor
Os vazios sonoros em cadência de frestas,
– Roncos embalados como presentes de amor –
A engrossar a fileira de coisas bestas.

Amor? Como pode o amor sobreviver a isso?
Como ele não enlouquece, soterrado pelo alarido
Das tolices humanas, cujas ranhuras ringem de longe
E nunca se calam e a si mesmas não ouvem?

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Lucilla Guedes
09/05/2016

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