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Saudade de Luiza


A vida ao longo dos séculos,
fez e nos faz mais céticos,
pois já não existem mais vítimas ou seus conceitos
mesmo que exista a palavra, hoje sem efeito,

 

pois mudam-se os deuses, e os antigos
homens já não são mais ouvidos,
são agora tragados por um brado juvenil
avivando um tecno-deus veranil;

 

Há tantos sons, tantas falas,
mas já não há mais efeito nas palavras,
que, por Deus, hoje compreendo outros valores do silêncio,
antes, um incompreensivo e confuso conceito,

 

que sentido conforme o momento, triste,
duvida-se do que vive, do que se vê, e do que existe,
porque é quando se transborda a alma em saudade,
e a distância lhe golpeia - com certa maldade

 

que só o silêncio se encaixa
dentro desta nossa caixa
conhecida como alma, ou ainda como templo,
diante dos que creem no antigo Deus que contemplo,

 

pois não há canções nem poesia
que desfaça, com efeito, essa lâmina fria
de um amor distante em corpo
transitando entre o velho e o novo,

 

porque não poder
faz do nosso querer
um silêncio imposto
pelo novo deus do desgosto,

 

e alimenta os novos deuses
que cantam seus poderes
nos lábios de seus súditos, pagãos sorridentes,
condenando os vitimados - agora extintos - descontentes,

 

vitimados dos assaltos
são considerados culpados e condenados,
são então açoitados pelas chibatas dos tormentos,
deus novo, cinzento, onde se estabelece que todo acontecimento

 

é geração de suas mãos, de seus pensamentos,
de forma tal, que ignora-se o sofrimento,
não havendo mais culpa nem ressentimento,
nem saudade, nem sons, só o silêncio,

 

e só os devotos do Deus antigo
entendem como castigo
a saudade de um amor;
feito pétalas sem flor,

 

feito canto sem passarinho,
ave nova sem um ninho,
casa nova e vazia, que a vida inviabiliza,
ou ainda, minha vida sem Luiza.

 

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Ricardo Lemos
23/03/2016

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