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Tempos Modernos (Amigos)

Amigos são poucos,
Conto-os nos dedos
Mas não preencho uma mão,
E me corta o coração,
Quando muda-se o mundo
E suas políticas lentas e envolventes,
Discretas, até se percebê-las,
Que é quando já estão quase à beira
De um caótico colapso...

Nós, homens, não a notamos,
Assim, sem perceber, nos adaptamos,
Nos transformamos,
E nesse trajeto
Alguns se abandonam,
Assumindo um martelo ou uma foice,
Uma enxada, um pássaro, uma cor,
Um papel, uma nota, um cifrão,
E este último é tão forte,
Porque não se pega na mão:
É um símbolo valioso,
Uma arma tão poderosa
Que destrói amizades,
Destrói histórias,
Famílias e nações ...

Aos meus amigos de alma,
Deixo um recado do coração:
- Não sou foice nem martelo,
Nem enxada e nem papel,
Mas prefiro o corte à faca
Do que ser visto como um "cifrão",
Na vida somos mais do que bandeiras,
Somos mais do que uma cor,
Somos mais até mesmo
Do que as nossas próprias crenças,
Porque até mesmo elas
Mudam-se com os anos
Conforme enriquecem e ampliam
As nossas essências...

Que nada falte aos meus amigos,
É só isso o que anseio,
O pouco que ganho é acrescido
Para socorro, se necessário, de um amigo,
Não fecho contrato, não trabalho e não assino,
Se em meu salário não estiver previsto
Meu descanso, minha família e meus amigos ...

Não há nada o que levar desta vida, penso,
Mas há o que deixar,
E é nisso que invisto.

 

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Ricardo Lemos
18/12/2015

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