Site de Poesias

Menu

5:17 PELO HORÁRIO DE BRASÍLIA

Pelo seu horário 
Levanto da cama 
Pelo seu horário 
Recomeça o drama 
Pelo seu horário 
Lavo o rosto 
Pelo seu horário 
Tomo café 
Pelo seu horário 
Dou no pé 
Pelo seu horário 
Estou atrasado 
Pelo seu horário 
Serei descontado
Pelo seu horário 
Ainda tá cedo 
Pelo seu horário 
Para o regresso 
Pelo seu horário 
O trem já passou 
Pelo seu horário 
O amor atrasou 
Pelo seu horário 
O filho já nasceu 
Pelo seu horário 
A avó já faleceu 
Pelo seu horário 
Passou do ponto 
Pelo seu horário 
Há um encontro
Pelo seu horário
O jogo já acabou
Pelo seu horário
Perco a hora
Pelo seu horário
Beijo sem demora
Pelo seu horário
A janta tá na mesa
Pelo seu horário
A sala está acesa
Pelo seu horário
O calmante chama
Pelo seu horário
Um vizinho reclama
Pelo seu horário
Um carro acelera
Pelo seu horário
A cidade, seu relógio, acerta
Pelo seu horário
Espero um telefonema
Pelo seu horário
Esgotasse a sessão do cinema
Pelo seu horário
Não há mais tempo
Pelo seu horário
Envelheço e me arrependo
Pelo seu horário
Esqueço do filme
Pelo seu horário
Contraio ciúmes
Pelo seu horário
Uma chacina detona
Pelo seu horário
Uma família abandona
Pelo seu horário
Seu país definha
Pelo seu horário
Um enfarto fulmina
Pelo seu horário
Um casal termina
Pelo seu horário
Um bar se anima
Pelo seu horário
Um cão late
Pelo seu horário
Já é tarde
Pelo seu horário
Para chorar o leite derramado.
 
Pelo seu horário
Sempre se é retardatário
Pelo seu horário
Eu deveria estar deitado
Pelo seu horário
Eu deveria estar calado
Pelo seu horário
Eu deveria estar dormindo
Pelo seu horário
Eu estaria acordando
Pelo seu horário
Eu deveria acertar meu coração
Pelo seu horário
Eu deveria estar no seu horário
Como um relógio
Está no pulso do médico.
Ouço seu horário
No relógio de parede que,
Pelo seu horário,
Costuma apressar minha mãe
Como se você,
Brasília,
Viesse para o nosso almoço.   

Compartilhar
Praciano
20/10/2015

  • 3 comentários
  • 84 visualizações neste mês
  • © Todos os direitos reservados