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Anjo Negro III (Odisséia)

Em outros tempos, no longícuo plano em que vivíamos
Quando ainda unidos na mais profunda sintonia
Na triste despedida, na prematura partida que não queríamos
Deixa-se um fim, em nossa harmoniosa e única sinfonia
Sem saber do trágico destino que teríamos
Lhe vieram dúvidas, solidão e temor em sua agonia
E minha Valkiria por fim nas trevas se perdia
 
A distância enfim venceu, ficar junto não mais podíamos


Nas implacavéis e frias noites de solidão
Supostas trevas era sua única e ilusória compania
Em suas feições sombrias, como que se maquiava-se com perfeição
Então perdeu-se em amarga melancolia
Não sabias o que lhe prendia em agonia
Sem mensurar o que ali se perdia
 
Sua alma em algum lugar ou exatidão


Anjo negro de alma guerreira e ambiciosa
Ser intrigante, mente pura e de coração bom
Malícia e serenidade que lhe fazem formosa
Encanta todos a sua volta, a beleza é seu dom
Destes predicados todos que a tornam majestosa
Um ser tão graciosa, que se faz maravilhosa
 
Alma quente, brilhante, onde o branco é o seu tom


Saudades  são suas bagagens pesadas e calejantes
Passaram tantas vidas em sua eterna e longa jornada
Que já nem sentes remanescências em sua alma inquietante
Mas ainda leva cargas de humana encarnada
Não se redime mesmo a Hades, em busca de respostas relutantes
Sobrevidas dos entes que já passaram, implorando de forma contratante
 
Segunda chances que não convém, a onipresença designada.


Dos céus mais reluzentes aos escuros submundos
Desafiando perigos e aventuras incessantes
Enfrentando até então Hades, Deus deste plano oriundo
Tantas desventuras, para ela não passava de caprichos irrelevantes
Desinibida, sem rumo, divagando no seu ego mais profundo
Viajastes de plano em plano, do mais lindos aos mais imundos
 
Desoladamente inquieta, de nossa separação inquietante


De longe vejo sua jornada, sempre em seus encalsos
 Aventuras, dores, felicidades e tristezas eminentes
Nada posso fazer em prol de meu Anjo em seus percalços
Mas das trevas ela se intitula firme e proeminente
No entanto após os infinitos e percorridos espaços
Se prendendo e desfazendo inúmeros laços
Cada vez mais distantes dos meus singelos abraços
 
Luz e trevas conflitam em sua alma latente.


Após longas eras de viagens e desventuras astrais
Talvez algum dia sua alma sossegue
Logo então chegarei em suas buscas triunfais
A vida tens o rumo que se prossegue
Anjo negro, então intitulada não será mais
Experiente ser de luz, que na minha vida assim se segue
Chegará o tempo que tornarei a ter vidas triviais
Não importando quantas vidas ou o tempo que leve
Experiência em todos os planos físicos ou espectrais
Ter a chance mais uma vez, simples ou paradoxais


Dizer-te "eu te amo", mas de forma que nunca se consegue... 

 


 

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Augusto Grovermann
21/07/2015