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PARA MINHA VOVÓ

[Ilustração não carregada]

 Junho 12/06/2014
Comigo brincaste, riste e choraste. Foste meu porto seguro e meu maior exemplo de coragem e força.
A mim dedicaste amor, provavelmente o maior amor que pode existir, sempre sem medidas apesar de conhecer melhor do que ninguém todos os meus defeitos.
Ao teu lado, eu fui feliz, mimada ao extremo, recebi os beijos mais carinhosos e provavelmente as maiores lições de vida.
A mim contaste tua vida, teus medos, teus sonhos, tuas desilusões e quantas vezes não quis ser igual a ti?
Ao meu lado estiveste em todas as minhas conquistas, em todas as minhas frustrações, em todas as minhas doenças, temendo por mim, querendo me proteger de tudo e de todos e eu, muitas vezes, sem entender o porquê de tanta proteção.
Contigo sempre pude contar, pra me relatar as novidades, pra torcer pelo meu sucesso, pra entender que eu não era exatamente o que desejavas como neta.
Contigo briguei, muitas vezes sem razão e de ti sempre esperei e obtive o perdão, a compreensão, apesar de sempre vir após a raiva momentânea.
A ti devo a lição, o afeto, o zelo, o carinho, a simplicidade de um abraço apertado, de um contar de dias afastados, de um pudim de aniversário, de uma canção de ninar jamais esquecida, de uma oração na testa, de uma lágrima de preocupação.
A ti, vovó, eu devo o que sou e o que um dia serei. A ti eu devo o significado das palavras força, fé, família e doação.
Não há despedidas, porque o reencontro acontece todos os dias entre nós. Nas palavras, nos gestos, nas atitudes e até nos preconceitos.
Noventa e três anos é tempo demais? Talvez. Eu viveria mais novecentos e dez ao teu lado, ou até mesmo um único dia a mais, só para, mais uma vez, ouvir teus conselhos e, mais uma vez, dizer-te o quanto te amo.
Que um dia eu possa voltar a ser criança nos teus braços e eu possa ouvir, mais uma vez, aquela velha canção de ninar que diz que "muito em breve ó mãe querida lá no céu me encontrarás"…

SAUDADE…
Vou pro seu quarto e abro a porta
mas você não está.
você se foi tão de repente
nem por mim quis ficar.
eu pensei em pedir pra você ficar.
mas eu sei que o que aconteceu
está nas mãos de Deus, o Pai.
Se você não está
é tão difícil olhar em volta
e não mais te encontrar.
eu chorei
quando tentou se explicar.
diz pra mim
o que vou fazer se não vivo sem você?
Tantas vezes escrevi numa estrela azul o seu nome
esperando que o sol da manhã me trouxesse você.
por favor, não deixe o mar da ilusão te levar para longe do cais
eu chorei
quanto tentou se explicar.
diz pra mim
o que vou fazer se não vivo sem você?
Saudades?
Tenho saudade.
Vovó, eu sempre te deixo um beijo
ele é invisível
ele não precisa de palavras
ele vem com o vento
e dorme nos olhos.
Quando o vento remexe teus cabelos grisalhos
os beijos vêm aos milhares
vêm com as folhas que sujam as calçadas
vêm com o zumbido nas frestas
vêm com os relâmpagos e as trovoadas
vêm com as orações aos santos
Quando chove, os beijos vêm molhados
e lambuzam a cara
de açúcar
de melado e puxa-puxa.
Vovó, sempre levo comigo esta concha
em que escuto os teus risos
O mar me deu a concha há muitos anos
desde então, a sua suave canção
me enche os pulmões de alegria.
Um presente desses
não se ganha duas vezes na vida
o mar me trouxe esta concha
cheia dos teus risos
O mar deixa suas dádivas na areia
em noites de luar e estrelas
quando o vento vem dos céus
e infla as conchas
com a mais bela alma
com a maior beleza
que os olhos nem sempre veem
mas que o coração reconhece
com certeza

Até breve minha mãe minha vovó querida

Eliane Miller

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Poetisa Desconhecida
19/06/2014

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